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OS CAVALEIROS GUAICURU E O ASSOREAMENTO DO TAQUARI




Para os navegantes das monções que se dirigiam as minas cuiabanas, a cachoeira da Barra onde hoje se localizam as pontes sobre o Taquari, era o último obstáculo natural em que se transportava as cargas ás costa e os barcos eram descidos por cordas. Daí por diante, entrava-se na planície pantaneira, onde o rio era mais calmo, existindo apenas grandes bancos de areia.


No tempo das monções (a partir de 1719), o lado esquerdo da margem do rio Taquari era dominado pelos nativos equestres da etnia Mbayá-Guaicuru. Em tempos remotos a região foi nominada pelos nativos de língua Guarani como Itatim.


Quando os espanhóis montaram o governo do Rio de La Plata, essa região foi oficialmente chamada de província de Nova Viscaia. Com a criação do Governo do Paraguay, esta área passou a receber o nome de Província do Itatim. A província do Itatim foi colonizada pela ação dos padres jesuítas com a construção de varias reduções. Logo veio a ação funesta dos bandeirantes paulistas que exterminaram as reduções e escravizaram a maioria dos nativos, buscando anexar o território ao domino português-brasileiro.


A ausência de lusos-brasileiros e de castelhanos proporcionou o domínio do Itatim pelos nativos cavaleiros Guaicuru. Por um período de mais de cem anos, os Guaicuru foram senhores absolutos dessas terras, onde criavam seus animais, possuindo, segundo alguns autores uma cavalaria com mais de 9 mil animais.


Quando os monçoeiros buscavam descanso no PORTO ALEGRE (atual cidade de Coxim), a morraria existente do outro lado do rio (em frente a atual cidade) era chamada de “MORRARIA DOS CAVALEIROS GUAICURUS”


Todos os anos, no período das secas, um dos melhores pontos para se atravessar o rio Taquari a váu (local raso de um rio, por onde se pode passar a pé ou a cavalo) era a região conhecida como Barranco Vermelho/ Beira Alta/ Mangabal, situada a poucos quilômetros abaixo da cidade. Essa região era chamada de “PASSAGEM DOS CAVALEIROS GUAICURUS”.


“Desde a confluência do Coxim até a sua barra no Paraguay, tem [o Taquari] 70 legoas; cuja velocidade é forte... até duas legoas abaixo da Cachoeira da Barra, depois segue por campanhas razas... Em toda esta extensão dá váo somente no tempo da secca, duas léguas abaixo da Cachoeira da Barra, a que chamam a passagem dos cavalleiros, por alí onde os Uaicurus atravessão o rio” (Luiz D’Alincourt – 1828).


“Projeto Resgate, Promoção e Valorização do Patrimônio Cultural da Rota das Monções .

Fundo Estadual de Defesa e de Reparação de Interesses Difusos Lesados – FUNLES / OSC Espaço Manancial/ Salt Media”.


Rota das Monções: "Se o Brasil Nasceu na Bahia, o Brasil Cresceu por aqui.”



Foto: De Paula – Coxim, região do barranco vermelho e Beira Alta. Área de deposição de areia do Taquari em que os Guaicuru utilizavam o váu para atravessar o Taquari, sem a necessidade de canoas. (projeto de checagem dos mapas de uso do solo da bacia Hidrográfica do Alto Paraguai / Agencia Nacional de Águas / Grupo de Acompanhamento do Plano de Recursos Hídricos da bacia do Alto Paraguai- 2016)

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