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ROTA DAS MONÇÕES – GARIMPANDO O OURO NAS MINAS DE CUIABÁ.


(PRIMEIRA PARTE)


Quando se ouve falar em minas de extração de minérios vem logo a mente, as enormes crateras de solo revolvido, ou grandes e profundos tuneis escavados no subsolo. São dois os principais métodos conhecidos, de extração de minérios. As minas subterrâneas e as minas a céu aberto. No principio do descobrimento, exploração das minas na região de Cuiabá era feita a céu aberto, pois o ouro era encontrado a flor da terra.


“Em Cuyabá jamais houve minas, se por minas entender-se a cavidade artificial da terra, para por galerias e poços desentranhar-lhe o ouro. O que houve foi o que com justeza se chamaram lavra e catas” (Washington Luis).


Túnel de mineração subterrânea.


Mineração a céu aberto


Quando a bandeira de Paschoal Moreira Cabral chegou a região do rio Coxipó, o ouro estava a flor da terra, não necessitando de ferramentas para extrai-lo. Bastava apenas recolher o que estava a vista, nas margens do riacho e nos barrancos dos córregos.


“proseguiu Paschoal Moreira Cabral o mesmo rumo em busca dos Coxiponés,(...) e, fazendo pouso logo acima da barra, acharam ouro em granetes cravados pelos barrancos. (...) conforme a deligencia que fizeram em cavar com as mãos que outros instrumentos de mineirar não tinham,(sic)” (Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá).



Chegada dos bandeirantes as minas de Cuiabá


Quando em 1722, Miguel Sutil descobriu um novo e grandioso veio aurífero, não precisou de instrumentos para escavar a terra, bastou recolher o quanto podia, e que estava disperso no solo.


“Apenas raiava a luz do dia quando já o Sutil, camarada e indios que comsigo tinha, estavam postos a caminho seguindo o famoso meleiro (...) mostrou o indio o seu invento, onde logo foram vendo ouro sobre a terra, apanhando-o as mãos sem cavar. Recolheram-se pela tarde aos seus ranchos, o Sutil com meia arroba de ouro, a maior parte delle cavado em seixos, e o camarada João Francisco Barbado com duzentas e oitenta oitavas por ser só e não ter quem o ajudasse” (Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá)”.



Ilustração: Nativo colhedor de mel (https//www.skyscrapercity.com/threads/cuiab%C3%A1-mt-292-anos)


O ouro encontrado na baixada Cuiabana pelos bandeirantes estava assentado nos depósitos aluvionares trazidos pelas correntes, com areia, argila e cascalho, oriundo de erosões fluviais, quando a própria movimentação das aguas retrabalha as margens mineralizadas ou por erosões pluviais, quando a ação das águas da chuva carreiam os sedimentos para o leito dos rios.


Esta frequente movimentação de sedimentos, quer seja pela ação das chuvas ou a ação das correntes de água, deixaram a amostra, grande quantidade de ouro, em diversos formatos e tamanhos, possibilitando assim a garimpagem a céu aberto.


Quanto a granulometria do ouro encontrado, ele era nominado como ouro em pó, quando eram os grãos bem pequenos, em granete ou granito, quando os grãos eram um pouco maiores, folhetas quando apresentado em forma de finas lascas e pepita para os maior tamanho.


Ouro em pó na bateia.










Ouro em granetes











Pepita de ouro











Pepita de ouro











Ouro nas raízes das touceiras de capim


A quantidade de ouro a céu aberto era tanta, que pequenas pepitas eram encontradas nas raízes do capim que se arrancava com as mãos.


“ que de ouro eram as pedras em que nos fogões se punham a cozer as panelas e que para o tirar não era preciso mais do que arrancar as tossas de capim e nellas vinham pegados os troços de ouro, e outras mais exagerações que chegavam a fabulosas; si bem que isto de arrancar-se capim e verem-se pegados nas raizes granetes de ouro foi visto por muitas vezes, tanto nas ditas Lavras do Sutil como nas da Conceição, que depois foi arraial (sic) (Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá).



Fogão a lenha utilizado pelos garimpeiros.


De bandeirantes a mineiros.


A bandeira de Paschoal Moreira Cabral deslocando-se em suas canoas, saindo do pantanal, subindo o rio Paraguai, o Porrudos ( São Lourenço) e o Cuiabá, até chegar ao rio Coxipó, estava buscando aprisionar os nativos Aripoconé. Na frustrada e decepcionante caça aos escravos brancos, acabou encontrando uma grande jazida de ouro. De repente, foram então os bandeirantes transformados em mineiros.


“Estava perdido o Aripoconé, mas estava achado o ouro nas margens abundantes do Coxipó-mirim. Ficou então resolvida, no correr de 1718, a exploração do precioso metal que dá a riqueza, e, com a riqueza, o descanço e as commodidades da vida. · Os bandeirantes viam naquelle invento o fim de seus penosos trabalhos, a abundancia futura.(...) Naturalmente transformaram-se os bandeirantes em mineiros(...) (sic) (WASHINGTON LUÍS).


A origem do nome garimpeiro


Os mineradores quando, a procura dos metais, viviam isolados pelos campos, cerrados , matas e no alto de morros e colinas. Eram chamados então de grimpeiros, ou seja, aquele que vive nas grimpas ou topo de morros. Com o passar dos tempos, por mudança fonética, passou a ser chamado de garimpeiro, ou seja, o pequeno explorador de lavras.


“ garimpeiro inicialmente, chamado de grimpeiro (por ficar escondido e isolado nas grimpas)” (SOUZA)


“O nome de garimpeiro não foi substituído por outro e ficou designado o pequeno explorador das lavras” (MACHADO FILHO)



Prospecção de ouro - Gravura De re metallica (Da natureza dos metais) Georgius Agricola século XVI


A exploração dos minerais “a céu aberto”


No início das descobertas, não havia a preocupação em explorar o subsolo, pois era feita apenas a ”cata” dos minérios expostos ao sol. O revolvimento superficial do solo era feito somente quando começava a escassear o material exposto, e mesmo assim quando a produção decaia, trocava-se de lugar em busca de áreas mais promissoras.


“os mineiros não faziam mais que lavrar e ratar na terra, abandonando-a desde quando, com o revolvimento superficial não encontravam folhetas, granitos, grãos, em fim o ouro que se vê.” (Washington Luis).


Equipamentos e ferramentas de garimpo


A atividade de extração do ouro era toda feita através da garimpagem manual, que consistia na extração e lavagem do cascalho com equipamentos e ferramentas rudimentares e manuais.


Almocafre

O almocafre era uma ferramenta recurva, de ponta afiada que se utilizava para revolver o solo, o leito dos rios e os barrancos e monchões.








O almocafre e sua utilização

Picão








Picareta curva







Picareta reta








Picareta de cabo de ferro.











Enxadinha de escavar vieiro, ou veio.








Almocafre desgastado pelo uso.









chibanca







Alavanca ou labanca


A bateia

A bateia era um utensilio utilizado na mineração para fazer a separação do ouro dos demais sedimentos. O nome batêa, utilizado pelos espanhóis, foi incorporado ao idioma corrente á época (língua brasílica ou Língua Geral) originado do português bátega (antiga bacia de metal). Posteriormente foi grafado no português do Brasil, como bateia.

Bateia de madeira

O carumbé


No principio da mineração, os nativos utilizavam bateias de madeira, que chamavam de carumbé, topônimo tupi-guarani utilizado para designar jabutis e cágados. O formato do casco dos quelônios lembrava os utensílios utilizados para transportar e efetuar a lavagem dos sedimentos ouro-diamantíferos.


Com o passar dos anos, o topônimo foi incorporado a língua geral com o significado de vasilha cônica para lavar o cascalho de ouro e diamante, sendo posteriormente grafado no dicionário português como sinônimo de gamela e bateia. Por variação fonética carumbé também era e é grafado como calumbé ou carimbé.


“(...) O escoamento (de cascalho), a princípio, se fez apenas, ou por meio de vasilhas, ou por meio dos usuais carumbés de madeira, igualmente de pouco fundo e arredondados como as bateias, com a diferença de que possuem somente de palmo e meio a dois de diâmetro. (ESCHWEGE 1810-1821).



Cascos de carumbé (Figura ilustrativa:)

Pratos de madeira e de estanho a guisa de bateia


Desde 1716 o bandeirante Paschoal Moreira Cabral Leme navegava pelos rios do Pantanal não só a captura de escravos nativos, mas também a procurar ouro, prata e pedras preciosas.


"Desde 1716, Paschoal Moreira Cabral Leme (...) á frente de uma bandeira, composta de 56 homens brancos, além de escravos e servos, andava tambem pelo sertão, conquistando reinos dó gentio para o gremio da Egreja e. diligenciando descobrir ouro, prata e pedras preciosas.(sic) (WASHINGTON LUIS)


Nessa expedição fluvial por não terem equipamentos especializados para minerar, os homens brancos de melhor posse, que compunham a bandeira, utilizavam seus pratos de estanho para minerar, enquanto os negros e os escravos nativos usavam pratos de madeira, como forma expedita para fazer a lavagem do cascalho.


“ (...) e os mais a este respeito, conforme a deligencia que fizeram em cavar com as mãos que outros instrumentos de mineirar não tinham, e os que haviam acompanhado o capitão-mór mais aproveitados, e o mesmo capitão Paschoal Moreira com libra e meia de ouro, todos por fim partecipantes dos aurinos fructos.(sic) (Annaes do Sennado da Câmara de Cuiabá).


“A exploração continuou, (...) até a barra do Rio Botuca, (...) Nesse logar, em poucas horas e com um prato de páu, como instrumento de minerar, foram retiradas da terra tres oitavas de ouro”. (sic) (WASHINGTON LUIS).


A confecção de pratos de madeira não era tão complicada, assim como os pratos de estanho, sendo dominada por muitos, enquanto a metalurgia do ferro e do latão demandava conhecimentos específicos detidos por poucos.


“No início dos trabalhos de mineração do ouro, dos diamantes e das pedras preciosas, no século XVIII, segundo relatos de viajantes e de técnicos que visitaram o Brasil no século posterior, eram usados pratos de estanho, nos rios e córregos, para separar-se areia e seixos do material precioso. Não demorou muito e o instrumento foi considerado pouco adequado ao bom desempenho das atividades”.(PAIVA)


A primeira monção com equipe de garimpagem


A exploração das minas tomou novo impulso quando ainda em 1719, Fernando Dias Falcão, experiente sertanista explorador de minas com larga experiência nas gerais, Sai de Cuiabá indo até o Povoado (São Paulo) buscar recursos para melhor explorar o ouro descoberto. Retorna então trazendo para o Coxipó equipamentos de minerar e principalmente 40 negros africanos habilidosos na arte da mineração e da metalurgia.


“Conhecedor da importancia do descobrimento feito por Paschoal Moreira, Fernando Dias Falcão deixar-lhe-ia soccorro de gente e de munição e partiu para S. Paulo, afim de organizar uma expedição capaz de explorar proveitosamente as novas minas.” (sic) (WASHINGTON LUIS).


“Nesse mesmo anno ou em fins do anterior [1719], tambem regressou Fernando Dias Falcão, (...) levando enorme bagagem e mais de 40 negros, entre os quaes havia ferreiros, carpinteiros e alfaiates. Tendo prestado soccorros a Paschoal Moreira Cabral Leme e avaliado a importancia do novo descobrimento, viera a povoado, onde com a sua longa pratica de sertanista, de explorador de minas, adquirida nas geraes, organizou uma expedição numerosa e habilitada” (sic) (WASHINGTON LUIS).


A monção de Fernando Dias Falcão não estava focada em prear nativos ou se aventurar a procura de novas jazidas, mas sim, equipar a nova região mineradora com mão-de-obra especializada para melhor aproveitar os recursos minerais recém descobertos.


“Já não era uma bandeira ousada e imprevidente á cata de aventura, (...)· era, ao contrario, uma expedição providamente munida de todos os recursos que a época permittia, prevenida com todas as condições de resistência” (sic) (WASHINGTON LUIS).


À época, o recurso mais extraordinário com relação a mineração e a metalurgia era a importação de tecnologia da África, principalmente da região da Costa da Mina. Os homens e mulheres africanos vindos dessa região, dominavam a muito tempo, as técnicas não só de fundição como também da mineração do ouro e do ferro.


A técnica de fabricação de bateias de madeiras


Com a chegada de escravos africanos foram introduzidas gamelas feitas de madeira, com formato mais adequado a lavagem do cascalho, sendo as mesmas construídas com madeiras apropriadas, resistentes ao atrito constante, ao manuseio frequente e a ação da água e do sol escaldante.

“Deve-se principalmente aos negros a adoção das bateias de madeira, redondas e de pouco fundo, de dois a três palmos de diâmetro, que permitem a separação rápida do ouro da terra, quando o cascalho é bastante rico”. (ESCHWEGE 1810-1821).



Ouro separado na bateia de metal e no carumbé de madeira.


Já na atualidade foram esquecidas as bateias confeccionadas em madeira, restando apenas as de metal e as de plástico, que com o desenvolvimento tccnológico foram adaptadas, ganhando maior eficiência na separação dos metais e minerais.



Moderna bateia de plástico


Garimpando diamantes


Embora o governo Português, por um longo período houvesse proibido a extração de diamantes, a atividade embora clandestina, ocorria com frequência em lavras mais isoladas. Por motivos externos quanto ao comercio internacional, o governo português havia proibido a extração de diamantes e outras pedras preciosas em sua colônia. Isto no entanto não impedia que escravos, feitores, grandes mineradores e autoridades locais praticassem o descaminho e a extração de diamantes.


“Neste mesmo anno descobrio Manoel Cardozo de Siqueira, e outros huma grande descoberta de ouor além do Paragoay mandou o Ouvidor examinar com ordem, que se achassem diamantes, queimassem as cazas, e trouxessem os descobridores prezos, achou-se diamantes, queimou lhes tudo, vierão alguns prezos, e outros fugirão.(sic)” (Annais do Sennado da Camara de Cuiabá).



Separação do cascalho mais grosso, através da peneira suruquinha.


As peneiras de garimpagem de diamantes


O processo de extração do cascalho, na garimpagem do diamante, era semelhante ao que procedia para o ouro. Havia mudança somente na etapa final do processamento quando era realizada a lavagem do cascalho. Ao invés de uma bateia, a ferramenta de trabalho eram quatro peneiras com malhas de abertura diferentes.


Cada peneira recebia um nome diferente. A de maior malha era a “suruquinha”, seguindo a “grossa”, vindo depois a “média” e por último a “fina” ou "refina". Diamantes encontrados na suruquinha tinham um altíssimo valor enquanto os encontrados na peneira fina eram de poucos quilates.



As quatro peneiras de lavagem de diamantes.


As peneiras sobrepostas eram colocadas na agua, onde se despejava o cascalho recolhido no paiol. A peneira fina ficava por último, enquanto a suruquinha era a primeira. A medida em que o material era lavado, os grãos mais finos iam ficando na peneira de baixo até chegar na peneira fina que era última. Assim o material era granulometricamente separado e analisado a cada tamanho.


O vocabulário peculiar dos garimpeiros


Com o giro regular da peneira, as partes menores passam no vão e se acumulam na peneira deixada logo abaixo. Os sedimentos de menor tamanho (areia) são levados pela água, enquanto o cascalho de maior tamanho fica retido na mesma. Sendo a peneira côncava, os minerais mais densos vão para o fundo da peneira, enquanto o cascalho menos densos se acumulam nas bordas.


Esta movimentação rítmica e padronizada da peneira pela ação do garimpeiro é chamada de “juntar as formas”. Os minerais de valor econômico, por serem mais densos, acumulam-se agrupados no fundo da peneira. Normalmente o diamante é encontrado no centro e ao fundo da “forma”.



Analisando o conteúdo da forma.




Após o processo de “juntar as formas”, vira-se a peneira, sendo seu conteúdo despejado, ou “ batido” na margem, invertendo a disposição inicial do cascalho. O que estava no fundo fica por cima e o que estava por cima fica por baixo. Quando a peneira é “batida”, a “forma” com os minerais mais densos ficam por cima.


Diferentemente do restante do cascalho que é colorido ou esbranquiçado, a “forma” que é chamada de “cú-de-burro”, tem cor mais escura e formato circular, destacando-se no topo do sedimento lavado. O diamante mais denso fica por cima, sendo logo “catado” ou apanhado pelo minerador. Dizem então, que o diamante estava “croado”, ou seja, por cima, como coroa.


Quando o diamante não aparece por cima da “forma”, não sendo logo visto, passam então um estilete de madeira a que chamam de “pazinha”, espalhando a “forma” até encontrar o diamante no meio. Dizem então que o diamante estava “embuchado”, ou seja, no “bucho da forma”.


Desviando a água de um regato


Em alguns casos, havia a necessidade de direcionar a água até próximo a cata, evitando-se assim o esforço do transporte do material desmontado, a grande distancias. Realiza-se a construção de um rego d’agua, escavando-se o solo ou construindo com tábuas de madeira ou troncos, um sistema de canalização desviando e direcionando o curso de água até os tanques de lavagem.


“Até aqui o que toca ás lavras da terra junto da agua; porém as dos ribeiros, sé elles são capazes de se lhes poder desviar a agua, divertindo esta por huma banda do mesmo ribeiro, com cerco feito de páos mui direitos, deitados uns sobre outros com estacas bem amarradas, feito em forma de cano por uma e outra parte, para que se possa entupila de terra por dentro, do modo que aqui se vê (sic)".(ANTONIL).



Canalizando um curso de água.


Canoas e bolinetes - plantas de lavagem de cascalho.


Através do rego, a água canalizada chegava até o local de lavagem, onde escavavam um fosso retangular com mais ou menos 1 metro de comprimento por aproximadamente 60 cm de largura com o fundo inclinado no sentido da correnteza, terminando em bica.. Chamavam este dispositivo de canoa.


Dispositivo igual a este, mas de maior tamanho, com paredes e fundo revestido com grossas tábuas, chamavam de bolinete. Tanto a canoa, quanto o bolinete tinham o fundo revestido com couro de boi ou baeta de grossa tecelagem.


O cascalho aurífero era lançado na entrada do dispositivo ao mesmo tempo em que se soltava a água do rego ou de pequeno reservatório. Com o auxilio de alguma ferramenta ou forquilha, mexia-se o cascalho sob a água. A força da correnteza levava para fora, os detritos, as impurezas e os sedimentos mais leves. O ouro mais pesado ficava agarrado aos pelos do couro de boi ou ao pano estendido no fundo. Periodicamente lavava-se o couro em um recipiente e retirava-se o ouro.



Retirada do couro de boi de um bolinete. (Fragmento do quadro de Rugendas)


A canoa e o bolinete foram os precursores das atuais plantas ou calhas de lavagem utilizadas ainda hoje na mineração.


“Mais commumente, á beira dos corregos ou dos lagos, faziam-se especies de pàrallelogrammo, em plano inclinado, com o fundo de terra dura a força de ser batida, e os lados fechados de taboas, excepto na parte que recebia a agua, para ahi canalisada; nisso, que · se chamava canoa quando pequeno, e bolinete, quando grande, era depositada a terra aurifera, extrahida dos montes, taboleiros e guapiaras”(sic) (Washington Luis).

A divisão da terra entre os mineradores


Desde o dia em que a noticia da descoberta do ouro em Cuiabá chegou ao povoado de São Paulo, centenas e mais centenas de aventureiros chegavam para garimpar. A medida que aumentava o número de exploradores, os locais de mineração eram organizados para melhor aproveitamento das jazidas, evitando disputas e conflitos.


Ao conjunto de operações que iam desde a extração do cascalho e o seu beneficiamento, até chegar ao produto final, dava-se o nome de lavra. Já nos primeiros anos de exploração haviam estabelecidos varias lavras, na região, como a lavra do Sutil, a lavra da Conceição, a lavra de Cocais, entre outras.



Início da lavra


As datas


Quando se oficializava a descoberta de uma mina, havia regras para a repartição dos terrenos, evitando-se assim disputas, confusões e tumultos. Os lotes eram chamados de “datas” que eram assim distribuídas: A primeira data pertencia ao descobridor que além dessa ganhava mais uma para minerar. A segunda pertencia a El-Rei e a terceira era sorteada entre os pretendentes (datas ordinárias).


As datas do descobridor, de El-Rei e do Guarda-mor. Chamadas de datas inteiras tinha a metragem de 30 braças em quadra. A extensão das datas sorteadas era proporcional ao numero de escravos (negros ou nativos) que o pretendente tinha e que usaria na exploração da jazida. Para cada escravo, o mineiro ganhava duas braças em quadra. Se o pretendente possuísse 15 escravos ganhava o direito de explorar uma data inteira de trinta braças em quadra.



O dono da lavra recolhendo seus minerais.(Tela ciclo do ouro – Rodolfo Amoedo).


Aqueles que não tinham datas próprias alugavam seus escravos, recebendo por diárias, enquanto outros mandavam seus escravos a apanhar pelos campos o ouro e pedras preciosas que caia dos que estavam a extrair. A atividade de procurar o ouro perdido no campo e nos cascalhos era chamada de faiscar.


“se occupão, humas em catar, outras em mandar catar nos ribeiros do ouro; e outras em negociar, vendendo, e comprando o que se ha mister não só para a vida, mas para o regalo” (sic),(Antonil).


Sondando o solo para encontrar o cascalho mineralizado


Após algum tempo de exploração, coletado todo o ouro que estava a flor da terra, restava então escavar o solo a procura das jazidas auríferas. Era necessário processar o cascalho que estava sob uma camada de solo, para fazer a separação dos materiais e extrair o ouro. Muitas vezes o cascalho estava bem próximo a superfície e em algumas locais ele estava em áreas mais profundas embaixo de grossa camada de terra.


Para verificar a que profundidade se encontra a camada de cascalho abaixo do solo, usava-se uma sonda, que na realidade era uma vara de metal, que ao ser fincada no solo e ao tocar no pedregulho, produzia um ruído diferente, que era o indicador de se ter chegado a camada de cascalho. Media-se então o quanto a haste penetrou no solo até encontrar o cascalho e sabia-se o quanto de solo deve ser removido antes de chegar ao cascalho mineralizado.



Demonstração prática de sondagem em garimpo de diamantes (Turismo de base comunitária - Mineração recreativa Vila dos Diamantes – Programa Rota das Monções)


O primeiro exame para verificar a existência de minerais (ouro ou diamante) era realizado na margem do curso d’agua, recolhendo o material sedimentado e passando-o pela bateia, quando se pesquisava o ouro, ou passando pelas peneiras quando a procurando diamantes ou outras pedras preciosas.


Na lavagem da bateia, as partículas de ouro que ficavam na vasilha eram chamadas de “pinta” e indicava a quantidade de ouro existente no cascalho. Quanto maior a pinta, maior era a quantidade de ouro depositada no cascalho. Se era boa a pinta, valia a pena fazer a sondagem para então iniciar a extração. Surgiu daí o ditado popular de “pessoa boa pinta”.


“Os sinaes, por onde se conhecerá se o tem, são, não terem areas brancas á borda da agoa, se não huns seixos miudos e pedraria da mesma casta na margem de algumas pontas dos ribeiros : e esta mesma formação de pedras leva por debaixo da terra”. (sic) (ANTONIL).


Descoberta a presença dos minerais procurados no depósito de cascalho da margem, sabia-se que esse mesmo cascalho se estende por debaixo da terra, restando somente procurar com o auxilio da sonda, onde a jazida de minerais se encontra e a que profundidade está.




Para a extração de diamantes e pedras preciosas o procedimento era idêntico apenas trocando as ferramentas de lavagem. Ao invés de bateia usava-se quatro peneiras. O sinal indicador da presença de pedras preciosas dava-se o nome de forma ao montículo de cascalho, de cor diferente, que se acumulava no topo do material peneirado. Havendo boa forma seguia-se com a sondagem para iniciar a extração. A expressão com o passar dos anos tornou-se também um ditado popular – “estar em boa forma”.


“e esta mesma formação de pedras leva por debaixo da terra. E começando pela lavra desta, se o ribeiro depois de examinado com socavão faiscou ouro. he sinal jnfallivel, que o tem tambem a terra “(sic) (ANTONIL).


O termo jazida foi utilizado no linguajar dos mineradores como o local onde se encontrava os minerais depositados, ou seja onde jazia o precioso mineral. Na linguagem técnica dos geólogos referem-se a jazida aluvionar, ou seja, depósito de sedimentos carreados e depositados pela ação das águas.


Os sedimentos onde são encontradas as jazidas minerais que despontam sobre o solo, eram chamados de “monchão”, enquanto os encontrado sob o solo eram chamados grupiaras. Quando os sedimentos eram retrabalhados e depositavam-se as margens dos cursos de água davam-lhe o nome de "banco de areia" ou "prainha". Quando o sedimento era depositado no fundo do curso d’agua recebia o nome de "golfo" ou "gorfo" (por deturpação).




Monchão de cascalho


Chamam de grupiara quando o depósito de cascalho ouro-diamantífero está acima do nível das águas, depositado na beira ou próximo de um rio ou córrego. Originalmente tanto na língua geral guarani, como a língua geral paulista ou na língua geral amazônica (nheengatu) dizia-se curupiara (curu = cascalho, pedregulho + piara ou mbiara = o que jaz), referindo-se ao ouro ou diamante enterrado no meio do cascalho. É como se o nativo dissesse: “tá no meio do cascalho”.


“a terra aurifera, extrahida dos montes, taboleiros e guapiaras”(sic) (Washington Luis).


Na garimpagem no golfo, para facilitar a retenção do cascalho que rola pela corrente, os garimpeiros montam um tripé de madeira roliça que proporciona o acumulo do cascalho mineralizado no ponto escolhido. A este rústico instrumento chamam de “matame”. È uma tecnologia cabocla que não se sabe se foi transmitida por etnias autóctones, ou africanas ou se foi desenvolvida nas próprias minas, fruto do conhecimento coletivo.



Visitantes observam a lavagem do cascalho próximo a um “matame”, dispositivo rustico de madeira do cerrado utilizado para reter os sedimentos no fundo do rio (cascalho do golfo).



Matame exposto pela baixo nível das águas.


Uma vez feita a sondagem para saber a profundidade em que o cascalho se encontra, realiza-se um buraco ou poço de pesquisa, verificando a qualidade do sedimento. Este procedimento é feito antes da abertura da cata para a mineração. O trabalho de abertura da cata só será realizado após a coleta de material e a análise. Havendo a presença de minerais indicadores de material precioso, iniciam-se então os trabalhos de retirada do solo para a abertura da cata, para a exploração da grupiara.



Garimpeiro descendo no poço de sondagem da grupiara. (Atividade demonstrativa, turismo de base comunitária - Mineração recreativa Vila dos Diamantes – Programa Rota das Monções).


A procura do ouro em sulcos e erosões



Erosão provocada por chuva intensa, deixando a mostra o cascalho mineralizado.


A ocorrência de chuvas, ocasionando a movimentação das águas, abriam-se depressões e sulcos na superfície do solo, revelando os níveis de cascalho depositados abixo da superfície, possibilitando o recolhimento do material para processamento sem a necessidade de fazer grandes escavações. Ocorria nestes casos, o surgimento de pepitas, grãos e lascas de ouro que eram recolhidas manualmente.


“Ahi a actividade era febril, nessa epocha das chuvas, anciosamente esperada: pelos desvirginadores da terra”(sic) (Washington Luis).



Lavagem do cascalho retirado do fundo de um córrego utilizando pás e carumbés.


Havia também a garimpagem manual nos cursos de água em cujo leito e margens haviam sido depositados sedimentos trazidos pela corrente. Estes sedimentos eram peneirados para retirada do cascalho mais grosso, sendo o restante então passado na bateia, selecionando-se o ouro dos demais materiais.



Lavagem do cascalho retirado do fundo de um córrego utilizando bateias.


Catas


A garimpagem também era feita através de catas que se constituíam em poços retangulares onde a parte superior do solo era retirada até chegar a mancha de cascalho que continha os materiais mineralizados. Este trabalho era executado com o auxilio de pás, picaretas e enxadas. Ao se chegar ao depósito de cascalho onde se encontrava o minério, com o auxilio de uma peneira grossa, chamada suruca, retirava-se o material mais grosso, sendo o restante transportado para a lavagem.



Antiga cata de diamantes e pedras preciosas, onde se realizava o desmonte

do cascalho mineralizado para a lavagem


“Em grandes covas quadradas, negros vigorosos encordoando os musculos cavavam a terra até encontrar o cascalho, assentado na piçarra para o desmancharem com a alavanca, como se demolissem uma parede; outros com o almocafre, punham o cascalho desfeito na batêa; e os corregos e lagos coalhavam-se de negros, curvados, a moverem circularmente a batêa, que chiava nagua, espumante e suja, desprendendo as pedras, a terra e deixando no fundo o ouro, (sic) (Washington Luis).



Visitantes dentro de uma cata antiga de diamantes em que a camada do solo foi totalmente retirada ficando descoberto a grupiara a ser garimpada. (Turismo de base comunitária a Vila dos Diamantes – Programa Rota das Monções).


O tamanho das catas em formato de covas quadradas ou retangulares variavam de acordo com a capacidade de trabalho dos garimpeiros alí alocados, sendo grandes ou pequenas quando tinham apenas um ou dois trabalhadores.


“Este desmonte rompe-se com alabancas: e se acaso tem ouro, logo nelle começa a pintar, ou (como dizem) a faiscar algumas faiscas de ouro na batêa, lavando o dito desmonte.Mas ordinariamente, se pintar bem o desmonte. he sinaI, que a piçarra terá pouco, ou nenhum ouro; e digo ordinariamente, porque não ha regra sem excepção. (sic) (ANTONIL).



Desmonte da cata. Separação das rochas maiores e acumulo do cascalho desmontado para levar para a lavagem.


Atingido o cascalho mineralizado, com o auxilio de enxadas, picaretas, alabancas e pás, revolviam o cascalho, operação que chamavam de desmonte. Esse material era então transportado para a lavagem junto aos cursos ou depósitos de agua. Antes, porém, através de uma peneira grossa, a que chamavam suruca era feita uma pré-seleção com a separação das pedras maiores.


“Tirado fora o desmonte, que ás vezes tem altura mais de braça, segue-se o cascalho: e vem a ser huns seixos maiores, e alguns de bom tamanho, que mal se podem virar; (...) E tirado este cascalho, apparece a piçarra, ou piçarrão, que he duro, e dá pouco, e este hum barro amarello, ou quasi branco , muito macio; e o branco he o melhor: e algum deste se acha, que parece talco, ou maracacheta; a qual serve de cama aonde está o ouro.(sic) (ANTONIL).


“ (...)abrindo catas. cavando-a primeiro em altura de dez, vinte, ou trinta palmos, em se acabando de tirar esta terra. que de ordinaria he vermelha. acha-se logo hum pedregulho, a que chamão desmonte, e vem a ser seixos miudos com arca, unidos de tal sorte com a terra, que mais parece obra artificial, do que obra da natureza: ainda que tambem se acha algum desmonte deste solto, (...) (sic). (ANTONIL).


O transporte do material “desmontado” nas catas era feito com o auxilio de balaios, baldes ou caixotes de madeira, ou mesmo em sacos de algodão crú. O material transportado era chamado de “cascalho surucado” em referencia a peneira suruca ou “cascalho despedrado”, por ter sido retirado as pedras maiores ou ainda “cascalho desemburrado”, ou seja, que se retirou as “pedras burras ou grandes” .




Traia de garimpo de diamantes.


O material do desmonte, transportado até próximo ao local de lavagem, era armazenado em uma espécie de paiol, cercado com madeira, ficando protegido de enxurradas e chuva, evitando que esparramasse, misturando-se com materiais não selecionados. No paiol, o material pré-selecionado ficava guardando o processo de separação dos metais e minerais preciosos (normalmente o ouro e o diamante). Cada garimpeiro possuía o seu paiol de cascalho, como depósito para trabalhos futuros.



Paiol de armazenamento de cascalho a ser processado.


Saindo do paiol o cascalho aurífero era colocado em uma bateia iniciando o processo de lavagem e separação. Minerais como o ouro e o diamante, por serem mais pesados ou mais densos que outros materiais contidos nos sedimentos, tendem naturalmente a se depositarem no fundo da bateia. Ao passar a água corrente pela mistura, a areia e o cascalho sendo menos densos são arrastados, sendo levados pela água, enquanto o ouro de maior densidade acumula-se no fundo do recipiente côncavo.



Processando o sedimento na bateia.


“E tomando com almocafres nas batêas esta piçarra, e tambem a terra, que está entre o cascalho, se vai lavar ao rio: e botando f6ra a terra com a mesma batêa. andando com ella á roda dentro d'agua pouco a pouco; o ouro (se o tem) vai ficando no fundo da batêa: até que, lavada toda a batêa da terra, pelo ouro, que fica, se vê de que pinta ele a terra. Alguma terra ha, que toda pinta; outra só em partes: e a cada passo se está vendo que as catas em huma parte pintão bem, e em outras pauca, ou nada.”(sic) (Antonil).



Revivendo o tempo das monções -banguê improvisado.(turismo de base comunitário na Vila dos Diamantes).

Transporte através de banguê.


A exploração de vieiros auríferos


Chamavam vieiro o depósito mineral encontrado na fenda de uma rocha. A camada aurífera encontrada entre placas rochosas, segue solo a dentro atingindo grandes profundidades. Ao contrário do ouro disperso na superfície, que necessita apenas ser recolhido, ou da jazida que se encontra na grupiara em que apenas se retira a cada superior do solo, o ouro de vieiro ou veio aurífero necessita que escave ao seu redor para poder recolhe-lo de entre as camadas de rocha. A medida em que o veio vai se aprofundando a escavação vai ganhando maior profundidade.



Vieiro ou veio aurífero (foto: mfrural.com.br)


Inicialmente nos termos de Cuiabá aproveitavam-se apenas a riqueza oferecida na superfície, mas a medida em se encontrava um vieiro aurífero aflorando no solo as escavações progrediam formando enormes crateras. Muitas vezes ao declinar a cata do ouro de superficie, sem dar atenção aos vieiros, a área era abandonada e tida como esgortada, partindo os exploradores para outras regiões mais promissoras.



Escavação para a exploração de ouro em modal céu aberto.


Quanto maior a potencia dos veios auríferos as escavações iam sendo ampliadas atingindo grande profundidades. Este tipo de exploração em que não se cava túneis é chamada de exploração com modal céu aberto. A retirada dos rejeitos e do material selecionado para o processamento era trabalhosa necessitando de volumoso numero de trabalhadores.



A retirada de material da mina, através de bateias.


“O uso predominante da mão-de-obra escrava no transporte das lavras pode ser atestado pelo padre José Manuel de Sequeira, quando sugeria que a condução da terra aurífera fosse feita por meio de carrinhos de mão ou “costados” de boi e bestas “em ordem de poupar braços, porque cada escravo apenas pode conduzir uma arroba de terra por vez, quando o boi pode conduzir 8 ou 10 arrobas” (DA MATA REIS).


Grandes escavações acabavam por atingir o lençol freático provocando inundações das minas. Além do árduo trabalho para retirar a camada mineral para a lavagem, havia ainda a necessidade de esvaziar as cavidades inundadas para poder realizar o trabalho.



A construção de escadas para a retirada da água, através de bateias.


Ao longo de dezenas de anos de escavação era grande a quantidade de rejeitos remanejados. Os rejeitos da mineração eram acumulados em regiões próximas formando grandes morros e colinas que se destacavam no horizonte sendo vistas de longa distancia.



Cratera da mineração e montanha de rejeitos acumulados ao fundo.(foto: https://jornalistaslivres.org 2020)


Ao lado desses morros de rejeitos estavam as grandes cavidades, que se abandonadas e cheias de água formavam grandes e profundos lagos.


“As escavações (...) só eram abandonadas de fato quando o escoamento das infiltrações, através do braço escravo,(...) tornava-se impraticável, impossibilitando a retirada do material. (Washington Luis)



Lago formado na cratera de mineração (foto: https://jornalistaslivres.org 2020)


Na atualidade, passados quase trezentos anos desde a descoberta de algumas minas, persiste a exploração do ouro, só que ao invés de seres humanos a escavarem e a transportarem o material escavado, máquinas pesadas desenvolvem o trabalho com maior rapidez e eficiência.


“Aproveitavam, diria mais tarde Pimenta Bueno, os riachos, taboleiros e guapiaras que offereciam riqueza na superficie da terra, conservando intactas as minas de vieiro que ainda ficariam até nossos dias.” (Washington Luis)


Existem hoje na região da baixada cuiabana mais de 30 empresas mineradoras de ouro totalmente legalizadas, dando sequencia a exploração iniciada de forma artesanal no tempo das monções. Como exemplo tomamos o município de Poconé em Mato Grosso que é um dos lideres nacionais na extração de ouro.



Coordenador do programa Rota da Monções (de Paula) e sua esposa (Jane- Mamma Pantanal) em visita as minas auríferas de Poconé- MT.


Quase trezentos anos após o inicio da exploração, a região que era chamada de Chapada de Peripoconé (hoje Poconé), sob a visão dos primeiros mineradores foi desprezada e considerada como pobre por ter pouco ouro de superfície, continua produzindo toneladas anuais do precioso minério.


“Em onze de agosto se repartio o novo descoberto da Chapada do Beripoconé, a que acudio muito povo, que suposto em seo principio não deo a grandeza, que se esperava depois foi muito útil, por que os seos mineiros acharão vieiros, em que se extrahirão muitas arrobas de ouro, dista desta Villa vinte legoas ao sul (sic)”(Annais do senado da Camara de Cuiabá – 1777).


A produção de ouro e diamante na baixada cuiabana ocupa posição de destaque no ranking nacional.


As antigas lavras de Cocais e da Chapada do Beripoconês, atualmente constituem o município de Nossa Senhora do Livramento e Poconé. Ao longo de quase trezentos anos vem sendo extraídos, nessa região conhecida como baixada cuiabana, grande quantidade de diamantes e ouro. A produção dessas áreas colocou Mato Grosso na primeira posição no ranking nacional (2013) de exportação e extração de diamantes e primeiro lugar na produção de ouro destinado ao mercado financeiro.


Segundos dados da Companhia Mato-grossense de Mineração, em 2017 Mato Grosso era o responsável por 87.2% da produção nacional de diamantes, produzindo 49 mil quilates ao ano e com a produção de ouro chegando a cerca de 10 toneladas ano, sendo a baixada cuiabana responsável por grande parte dessa produção.



“Projeto Resgate, Promoção e Valorização do Patrimônio Cultural da Rota das Monções. Fundo Estadual de Defesa e de Reparação de Interesses Difusos Lesados – FUNLES / OSC Espaço Manancial/ Salt Media”.



Rota das Monções: "Se o Brasil nasceu na Bahia, o Brasil cresceu por aqui.”




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