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REVIVENDO AS TRANSPOSIÇÕES DE CACHOEIRAS DO TEMPO DAS MONÇÕES.


TV Educativa de MS gravando a descida dos barcos da Monção através de cordas, no desfiladeiro do rio Coxim (foto: Camila @ expedição Rio-Cênico 2022).


A partir de 1719 quando chegou em São Paulo a noticia da descoberta do ouro nas cercanias de Cuiabá, houve uma avalanche de pessoas que alucinadamente se lançavam pelos sertões afora, sonhando em enriquecer, garimpando ou ouro que brotava nas raízes de capim, ou cintilavam e brilhavam nos barrancos e bancos de areia e cascalho.


Carga de canoas (pintura de Oscar Pereira da Silva).


O trajeto inicial da grande jornada, partindo-se de Povoado (São Paulo) para chegar aos campos de mineração em Cuiabá, iniciava-se pela viagem terrestre, chegando a Vila de Itú e dali até o porto de Araraitaguaba (atual Porto Feliz), para então embarcar em canoas e batelões iniciando a navegação por um longo trecho de 3.600 quilômetros.


Monção embarcando no desfiladeiro do rio Coxim (foto: Helen Rubia @expedição rio-cênico 2022)


Ao comboio de embarcações que seguiam ou vinham das minas auríferas, foi dado o nome de Monção. Um dos grandes obstáculos enfrentados pelos que navegavam pelos rios eram as corredeiras, cachoeiras, pedras, rochas e lajes de pedras submersas nos cursos de água.


“se continuou a viagem (...) sempre com risco pelas muitas correntezas, canais, redemoinhos, jupiaz, funis e caldeirões que faz este rio, com voltas tão arrebatadas e violentas que é preciso saltar a gente em terra e levarem as canoas com duas cirgas, para poderem vencer a violência das águas e livrarem-nas das pedras de que estão cheios os canais” (Rodrigo Cézar de Menezes - 1.726 – Noticia 6ª Prática – in Relatos Monçoeiros).

Cascata Monçoeira (foto: Hellen Rubia @expedição rio-cênico 2022)


Transpor cachoeiras com grandes e pequenas canoas lotadas de pessoas e cargas não era uma atividade fácil. Muitas vezes além de descerem as pessoas era necessário descarregarem as bagagens para serem transportadas as costas até o ponto de embarque, abaixo da cachoeira. As canoas eram então, descidas pela correnteza com o auxilio de cordas, sendo puxadas uma a uma até passar toda a frota. Algumas monções chegaram a ser composta por mais de trezentas embarcações. Dá para imaginar o esforço e o sacrifício dos tripulantes das embarcações.


“ amanhecendo este dia (14 de abril de 1769) se cuidou logo em descarregar as embarcações e po-las a meia carga, para assim poderem passar a dita cachoeira (...) Passam-se as cargas as costas dos homens por uma picada que se abre por terra”(TAUNAY – Relatos monçoeiros).

Descendo os barcos com auxilio de cordas no Travessão do Jaú - rio Coxim (detalhe: jornalista Fabio Pelegrini auxiliando a tripulação - foto Flavia Neri @ expedição rio- Cênico 2022).


Em cachoeiras menores, desciam as pessoas para seguirem por varadouros terrestres, enquanto que os barcos a meia carga, ou sem elas, eram conduzidos pelos guias práticos mais experientes, que se arriscavam em descer os barcos no meio da correnteza, buscando sempre uma melhor passagem em meio as pedras e as águas violentas. Transposta a canoa, o guia prático voltava por terra a buscar nova canoa, até que uma a uma completava-se a transposição de todas as canoas da monção.


“ E agora o guia passa, um a um, por este perigo. Deixando o seu lugar na popa, troca indo para a proa; governa esta embarcação metendo-a pelos canais e ondas que lhe parecem menos perigosas; e assim passando uma, volta por terra a ir conduzir a outra” (TAUNAY – Relatos monçoeiros).


Guias práticos descendo a cachoeira espanhola - rio Jaurú.


Em 1727 quando chegou a Cuiabá o Secretario Geral do Governador Rodrigo de Meneses, Gervazio Leite Rabello, confessou ter se assustado tanto com as transposições das cachoeiras nos rios das monções, que havia esquecido de registrar o nome dos locais de pouso ou parada e principalmente das cachoeiras, saltos e corredeiras do caminho fluvial.


“ todos estes riscos, sustos e medos me trouxeram embaraçados (...) e não me deram fazer acento das paragens em que pernoitava a tropa, e menos dos nomes das cachoeiras, itaipavas, canais, cirgas, e funis, que a cada dia passavam, lembrando-nos se o risco, em que cada um se achava e procurando só dele livrar-se” (Gervázio Leite - Noticia 6ª Prática - in Relatos Monçoeiros).


Transposição da cachoeira Espanhola ( Foto Camila @expedição Rio-Cênico 2022).

“Navegou-se este dia com grande trabalho, por ser preciso levarem-se as canoas às mãos e ir a maior parte da gente por terra, por causa das muitas e grandes correntezas, canais, redemoinhos, voltas e pedras que tem todo este rio” (Notícia 6ª Prática - In Relatos Monçoeiros).


Cânion do rio Coxim entre os municípios de Rio Verde de Mato Grosso - MS e São Gabriel do Oeste- MS (foto 42 @expedição Rio-Cênico 2022).

Guia prático das monções - mestre Heleno descendo o barco na cachoeira Travessão do Jaú - rio Coxim (foto: Cid Nogueira).


“Passamos neste dia dois varadouros descarregando neles as canoas e passando as cargas as costas dos negros com bastante perigo e trabalho pela má arrumação, que fazem já aqui as voltas deste rio” (Notícia 6ª Prática - In Relatos Monçoeiros).


Guia prático descendo o barco pela cachoeira Espanhola - rio Jauru


“Passaram-se quatro cachoeiras e algumas itaipavas, duas escaramuças, tucunduvas e varias correntes e um canal de mais de duas léguas, tão arrebatado e violento, que só se livraram as vidas não topando as canoas nas matas, pedras e rochas que há no rio de uma a outra parte” (Notícia 6ª Prática - In Relatos Monçoeiros).

Descida da monção pelo rio Coxim (foto Cid Nogueira)


“chegamos ao primeiro varadouro e descarregadouro, carregando-se as carga com grande trabalho e moléstia pela má serventia do caminho.(...) Varadas as canoas e carregadas se seguiu viagem” (Notícia 6ª Prática - In Relatos Monçoeiros).


Partida da expedição eco-monçoeira 2022 (foto Larissa Cabral @expedição Rio-Cênico 2022).


O programa Rota das Monções é assim. Você relembra a história e revive cada momento conhecendo os pontos pitorescos por onde navegaram os monçoeiros as minas auro-diamantíferas das cercanias de Cuiabá. Uma excelente oportunidade para os amantes da historia do Brasil, professores, historiadores e acadêmicos.


Equipe de visitantes em momentos de descontração na cascata monçoeira (foto: Tiago Tatajuba @expedição Rio-Cênico 2022).

Rota das Monções: "Se o Brasil nasceu na Bahia, o Brasil cresceu por aqui.”







Resgatando, promovendo e valorizando o patrimônio cultural da Rota das Monções.

“Projeto Resgate, Promoção e Valorização do Patrimônio Cultural da Rota das Monções. Fundo Estadual de Defesa e de Reparação de Interesses Difusos Lesados – FUNLES / OSC Espaço Manancial/ Salt Media”.



Rota das Monções: "Se o Brasil nasceu na Bahia, o Brasil cresceu por aqui.”

Visite a Rota das Monções (onde comprar):

South Pantanal Tours & Expeditions – www.facebook.com/tourisminpantanal





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