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O virado Paulista na cozinha Monçoeira.


Imagem: Detalhe do quadro O encontro das monções no sertão, de Oscar Pereira da Silva, 1920, baseado nas gravuras de Hercules Florence 1826.



Viajar pelos rios, saindo de Araraitaguaba (Porto Feliz SP) até as minas auríferas de Cuiabá, em um percurso de mais de 3.500 quilômetros, demorava, dependendo do tamanho da expedição, entre três a seis meses.


Um dos grandes desafios iniciais desta viagem era fazer o aprovisionamento da monção, ou seja, reunir víveres suficientes para alimentar os viajantes durante a travessia. Como a viagem era de longa duração, havendo pouquíssimos pontos de reabastecimento, era necessário transportar apenas alimentos pouco perecíveis e de fácil acomodação, devido ao reduzido espaço dentro das canoas.


O Conde de Azambuja quando fez esta viagem em 1751, reclamou bastante da dificuldade em acomodar os víveres em poucas canoas:


“..sempre vos há de fazer dificuldade que em tão pouco se acomodasse o mantimento que haviam gastar 190 homens em 5 meses”


Os elementos essenciais para a alimentação à época, era o feijão, o toucinho e a farinha, principalmente a farinha de milho. Eram alimentos de durabilidade e de fácil acomodação, por isso tornaram-se o alimento usual de quem viajava pelos sertões.


“O virado paulista de feijão era o grande recurso dos monçoeiros; a famosa mistura de feijão preparado com toucinho e farinha. A farinha de milho predominava muito sobre a de mandioca” (TAUNAY).


“O que procede constar esta [refeição] de feijão, farinha e toucinho e algumas galinhas só para os doentes de maior perigo.” (AZAMBUJA)


Quando o passageiro da monção era um nobre, a custa de muito dinheiro incluía no cardápio, alguns regalos, próprios à nobreza, como era o caso do Governador Conde de Azambuja:


“Ainda para minha mesa este era o fundamento [virado paulista], porque o mais que levava de paios, presuntos, biscoitos e carne de vinha d’alhos, era a proporção que as canoas podiam, e não do que era preciso.”


Para não perder muito tempo na preparação dos alimentos, pois principalmente o cozimento do feijão demorava algum tempo, preparavam-se as refeições durante as paradas para o pernoite. Além do jantar, produzia-se o suficiente para o café da manhã e o almoço do dia seguinte. Esta refeição preparada de véspera era armazenada em recipientes para ser aquecida ou ingerida mesmo fria, no dia seguinte.


“Durante a viagem se costumava cozinhar à noite, o que há de comer no outro dia e porque se não pode acender fogo ao jantar se come frio o feijão cozinhado de véspera” (JUZARTE).


A alimentação básica das monções era chamada de virado paulista, pois embora o feijão com toucinho fosse acomodado na vasilha, em separado da farinha e da carne de caça ou peixe assado, com o balançar e chacoalhar da embarcação ou da andança nas travessias ou varadouros, esses ingrediente eram revirados e misturados, surgindo assim a denominação “virado paulista”. Este nome, remonta aos bandeirantes, desde os tempos anteriores.


“Projeto Resgate, Promoção e Valorização do Patrimônio Cultural da Rota das Monções .

Fundo Estadual de Defesa e de Reparação de Interesses Difusos Lesados – FUNLES / OSC Espaço Manancial/ Salt Media”.


Rota das Monções: "Se o Brasil Nasceu na Bahia, o Brasil Cresceu por aqui.”

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