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O POVO TERENA E GUANÁ NA ROTA DAS MONÇÕES – ONTEM E HOJE


Imagens: Aquarela de Hercules Florence – 1827; Albertino Muchacho www.facebook.com/albertino.muchacho


Varias foram as etnias encontradas pelos navegadores fluviais, que se deslocavam indo ou vindo das minas auríferas de Cuiabá através da Rota das Monções.


Desde o inicio da colonização da região platino-americana, ainda durante a ocupação espanhola pelo rio da Prata e pelo rio Paraguai, posteriormente pela atroz invasão dos lusos-paulistas bandeirantes à região da então província Paraguaia do Itatim (hoje pantanal sul-mato-grossense), e mais recentemente pela utilização dos “caminhos das águas”, através dos rios que compunham a rota das monções, sempre houveram sangrentos conflitos entre os autóctones donos da terra, e os obstinados colonizadores que por aqui trafegaram, movidos pela ânsia das riquezas minerais.


Com o passar dos anos, para algumas etnias, amainou-se a beligerância para com os invasores, prevalecendo certa relação de proximidade, alimentada principalmente pela intercambio comercial.


Dentre os povos nativos do pantanal, a nação Terena, representada por guanás e chanés, via de regra, sempre mantiveram certa proximidade e receptividade com os invasores europeus, quer sejam espanhóis ou portugueses a quem chamavam de purutuyé.


Na Rota das Monções, em 1827, Hércules Florence, o renomado desenhista francês, ao passar por aqui, com a monção do Consul russo Langsdorff, descreve detalhes da vida dos Terena na região do pantanal, como também registra alguns nativos através de uma aquarela que tem seu original conservado na Academia de Ciências da Rússia em São Petersburgo.


“De quantas tribos tem o Paraguai [rio], é esta que mais em contato está com os brasileiros. Lavradores, cultivam o milho, o aipim e mandioca, a cana-de-açúcar, o algodão, o tabaco e outras plantas do país. Fabricantes, possuem alguns engenhos de moer cana e fazem grandes peças de pano de algodão com que se vestem, além de redes e cintas. Industriais, vão em canoas suas ou nas dos brasileiros, até Cuiabá para venderem suas peças de roupa, cintas, suspensórios, cilhas de selim e tabaco” (FLORENCE – 1827).


Outro grande personagem da historia brasileira que esteve por aqui, vivendo durante alguns meses em um acampamento as margens do rio Taquari, em frente a foz do rio Coxim, na área urbana da cidade, foi o nobre escritor, professor, engenheiro militar, sociólogo e historiador, um dos fundadores da Academia Brasileira de letras, o Visconde de Taunay, que deixou assim registrada sua vivencia com a terra e seus nativos, dentre eles, os Terena, Guaná, Quiniquinaua e outros:


(...) Sentia-me deveras feliz no seio daquela esplêndida natureza, debaixo daquelas gigantescas árvores ou à beira de puríssimas águas correntes e na íntima convivência dos muitos índios terena, quiniquinaus, laianos e guanás que nos cercavam”. Memórias do Visconde de Taunay / 1890-1899 - repost www.facebook.com/fabiopellegrinims)


Na atualidade, na rota das monções, na cidade pantaneira de Coxim, registra-se a presença marcante de representantes Terena da Família Muchacho, na pessoa do ilustríssimo cidadão Albertino Muchacho. Albertino, nascido na aldeia Cachoeirinha, na cidade de Miranda, transferiu-se para Coxim no ano de 1973, prestando serviços junto ao estabelecimento educacional Colégio Santa Tereza. Ao longo de 50 anos, com sua forma cortês e gentil de tratar as pessoas, tornou-se amigos de pais e estudantes que ao logo do tempo passaram pela Instituição. Contando hoje com 72 anos de idade, prossegue conquistando respeito e admiração por sua amabilidade e cordialidade.


“Projeto Resgate, Promoção e Valorização do Patrimônio Cultural Sul-Mato-Grossense através da temática histórica da Rota das Monções no Rio-Cênico Rotas Monçoeiras e seu entorno /OSC Espaço Manancial/ Fundo Estadual de Defesa e de Reparação de Interesses Difusos Lesados – FUNLES”.


Rota das Monções – “Se o Brasil nasceu na Bahia, o Brasil cresceu por aqui”.

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