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ABUNDANCIA DE VIDA NOS BANCOS DE AREIA DO RIO TAQUARI.


Fotos: De Paula. O taiamã, gaiovota pantaneira ou talha-mar (Rynchops niger) com seus ovos e seu filhote em um banco de areia no rio Taquari.


O assoreamento do rio Taquari no pantanal é fruto de um processo geológico milenar que transporta sedimentos de seu compartimento superior e os deposita em sua parte baixa, criando a maior deposição de sedimentos na planície do planeta.


Ao longo de milhares de anos, a natureza tem se adaptado a essa situação, criando estágios sucessionais a cada mudança de curso provocado pelo entulhamento de seus canais. A cada meandro abandonado, surge nova vegetação, com novos animais em um processo contínuo de sucessão ecológica. A areia trazida pela corrente deposita-se no leito formando grandes praias. Bancos de areia, que recebendo sementes trazidas pelas correntes, pelo vento ou por animais, germinam criando ilhas cobertas pela vegetação. Nessas ilhas abundam a vida animal.


Quando os navegantes monçoeiros entravam no rio Taquari, ficavam estarrecidos com a grande quantidade de ilhas e a abundancia de animais existentes, que lhes servia de alimento.


“... de tarde entrei em Tacoari...É este rio bastantemente largo, ... Quando leva pouca água, deixa várias praias descobertas, as quais se enchem de caça, principalmente patos de extraordinária grandeza, e outros mais pequenos, a que chamam marrecos. Há também pelos matos muita de jacús e jacutingas, que passam de bom gosto a saudáveis, de modo que se dão aos doentes, principalmente as aracoans, que, sendo estes mais pequenos, sempre tem o tamanho das nossas frangas. Há outros, a que chamam mutuns, do tamanho dos nossos perus novos, muito airosos e bem feitos, e de bom gosto. A caça de pelo também é infinita, muito porco bravo, muito veado e capivaras.” (Conde de Azambuja – 1751- in Relatos Monçoeiros . HOLANDA)


Nas praias do Taquari era comum aos navegantes apanharem ovos de gaivotas para reforçar o cardápio. Como disse Rolim de Moura, “quando leva pouca água, deixa várias praias descobertas, as quais se enchem de caça”. As gaivotas, aqui chamadas de taiamã (corruptela de talha-mar), acompanhando os cardumes de peixes migratórios, aproveitam as ilhas e bancos de areia para depositarem seus ovos. É comum, até os dias de hoje, encontrar ninhos de gaiovota em grande quantidade. Na proteção da ilha, os filhotes das gaivotas se desenvolvem até poderem voar, quando então chega a cheia, cobrindo os bancos de areia.


“Projeto Resgate, Promoção e Valorização do Patrimônio Cultural da Rota das Monções .

Fundo Estadual de Defesa e de Reparação de Interesses Difusos Lesados – FUNLES / OSC Espaço Manancial/ Salt Media”.


Rota das Monções: "Se o Brasil nasceu na Bahia, o Brasil cresceu por aqui.”

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