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A PEDRA DO LETREIRO MONÇOEIRO. REGISTRO HISTÓRICO DA EXPANSÃO DO IMPÉRIO LUSO-BRASILEIRO

Atualizado: 13 de jul. de 2022


Pedra do Letreiro Monçoeiro. Cachoeira do "Quatro-pé". Detalhe da inscrição da expedição do sargento-mor Cabral.


A partir do ano de 1718 com a descoberta do ouro no rio Coxipó, a utilização dos caminhos fluviais para as minas se intensificou. A princípio varias rotas fluviais foram traçadas buscando alcançar as minas cuiabanas, mas a que acabou por prosperar, foi mesmo pelos rios Pardo, Camapuã, Coxim e Taquari. Este percurso foi conhecido como a rota das monções.


Grande era o volume do ouro extraído, o que levou o governo imperial luso-brasileiro a trabalhar para a construção de uma estrada que pudesse ligar Cuiabá a São Paulo. Uma vez construída a estrada, o caminho das águas foi aos poucos deixando de ser utilizado pelos comerciantes. Os comboios fluviais estavam sendo substituídos pelas tropas de animais de carga (mulas dos tropeiros).


Detalhe de um folder da rota das monções - 2000


O conflito entre Portugal e Espanha pela posse das fronteiras


A mais de 200 anos, havia uma disputa entre o império Espanhol e o império Português sobre o domínio das terras pantaneiras. Com a descoberta do ouro, na região de Cuiabá pelos lusos-paulistas, acirrou a disputa pelo território, até que em 1797 os dois impérios resolveram a base da força assenhorarem-se de seus pretensos territórios.


“Memorias do ano de 1797 – Neste ano por que chegarão noticias

da Europa de que as tropas Portuguesas, e Hespanholas, se achavão nas

fronteiras, e vierão ordens ao nosso Ex.mo Gen.al para fortificar as fronteiras

destas capitanias, expedindo ele as suas ao M.e Campo para recrutar hum

avultado numero de dragoens e pedestres.” (Annais do Sennado 1797).


Foi então que em 1801, com uma força de aproximadamente seiscentos homens, o comandante espanhol Lázaro da Ribeira, acreditando que os estabelecimentos portugueses situados na região do pantanal, na fronteira entre os dois impérios não poderiam oferecer resistência a grandes investidas, atacou o presídio de Coimbra no rio Paraguai.


Foto: Cid Nogueira. Expedição fluvial, descendo o rio Coxim. 1º Seminário Internacional da Rota das Monções 2017.


Com o inicio dos conflitos, as expedições comerciais monçoeiras foram prejudicadas, pois os espanhóis haviam atacado as vilas de Albuquerque, Corumbá e os presídios de Nova Coimbra e cogitando o ataque a Miranda, interferindo no livre curso pela foz do rio Taquari. Era então necessário para que as expedições prosseguirem para Cuiabá, serem escoltadas por monções militares de apoio e combate.


Apesar do perigo das monções encontrarem os Espanhóis na desembocadura do Taquari, muitas expedições corriam o risco e prosseguiam até Cuiabá, levando preciosas mercadorias para serem comercializadas na capital.


“Em 28 de abr.o entrou a esta Villa do Cuiabá Pedro Marques de Fonte

vindo de Povoado p.lo rio e trouxe sal, vinho. ferragens, e as demais couzas

adjunctas” (Annais do senado de Cuiabá – 1805).


Expedição monçoeira no rio São Domingos, afluente da margem esquerda do rio Coxim - 2017.


Com a necessidade de abastecimento das tropas na fronteira, houve o revigoramento da rota das monções, pois grande parte de tropas, munições, gêneros alimentícios e outros artigos necessários para abastecerem os povoados fronteiriços, seguiam pelos caminhos das águas.


“... ao Porto da Villa de Santos, e dahi a esta Vila, consta

este trem chegado de mais de duzentas arrobas de polvora, balas,

granadas, e outros muitos petreichos relativo a artelharia, ...” (João

Gularte Pereira. 2º Vereador – 1804)


Desde 1801 houve intensa movimentação na fronteira e em razão do contexto de guerra entre os impérios ibéricos na América, o governador da Capitania tomou as medidas necessárias para reforçar as guarnições portuguesas existentes na região. O auxilio em defesa da fronteira vindo de São Paulo chegava até Cuiabá, ou por terra ou por água. Foi assim que neste ano, que uma tropa de soldados vindos de São Paulo, chegaram a Cuiabá, sendo depois direcionados ao presídio de Miranda. Junto com as tropas destinadas a outras povoações eram transportadas também os víveres, armamentos e equipamentos necessários a manutenção dos destacamentos militares.


Foto Cid Nogueira. Para da monção junto a foz do rio Jauru com o rio Coxim - 2017.


Em função desse fluxo constante de abastecimento das tropas na fronteira, a rota das monções, embora tivessem perdido grande parte das monções particulares, era agora reavivada pela monções reiunas. Durante três décadas foram inúmeras a expedições monçoeiras que saindo de Porto Feliz eram direcionadas as fronteiras de Mato Grosso.


Em 1822, o naturalista Saint-Hilaire, confirmou que havia pouco movimento de monções mercantis em Porto Feliz, e que era maior a movimentação de embarcações destinadas ao transporte de tropas e munições para o abastecimento militar de Mato Grosso.


Canoas de uma monção estacionadas no canyon do rio Coxim (município de São Gabriel do Oeste MS- 2019.


O registro da passagem das monções pelo rio Coxim



Era mister, para a comprovação de ocupação dos territórios, o registro testemunhal dessa ocupação. Assim, a partir de então, as expedições monçoeiras financiadas pela fazenda real, ao passarem pela cachoeira Avanhandava-assu (Quatro-pé), no rio Coxim eram registradas em uma grande laje de pedra, onde eram incrustados a data de cada expedição e as iniciais ou nome do comandante do comboio de embarcações. Surgiu então, a Pedra do Letreiro Monçoeiro com registros das expedições reiúnas de três décadas de 1800.


Sitio arqueológico Pedra do Letreiro Monçoeiro. Unidade de Conservação APA Rio Coxim - Reio Cênico Rotas Monçoeiras (Município de Rio Verde de Mato Grosso MS.


Era a partir da Ordenança da vila de Porto Feliz, sob o comando de militares, que partiam as expedições levando suprimentos para as tropas na fronteira. Na pedra do Letreiro Monçoeiro foram registradas algumas dessas expedições, como a real expedição chefiada pelo Sargento-mor engenheiro José Antônio Teixeira Cabral (Sargento Mor Cabral), que deixou gravado para a posteridade, a passagem de seu comboio fluvial.


No sítio histórico da Pedra do Letreiro, dois fatos chamam a atenção dos visitantes. O primeiro era o tempo gasto para fazer as inscrições na pedra e o segundo é a caligrafia bem elaborada, escrita com muita habilidade.


Detalhe das inscrições da Pedra do Letreiro Monçoeiro.


As embarcações carregadas com pessoas e volumosas cargas, ao chegarem a cachoeira tinham que ser descarregadas, sendo então transportadas ás costas, por terra, até mais em baixo, em novo ponto de embarque. Uma vez descarregadas as canoas, as mesmas eram descidas uma a uma, amarradas em cordas e puxadas pelos tripulantes até embaixo da cachoeira. Descarregar, transportar cargas, descer canoas e embarcar novamente as cargas, levava prolongado tempo, uma vez que cada monção comportava entre vinte, trinta ou mais canoas. Havia portanto, tempo suficiente para que a gravação fosse realizada com sucesso.


“em certos lugares a tripulação era forçada a passar por terra, arrastando as

canoas ou guindando-as em cordas” e, nas cachoeiras médias ou menores, embora os

barcos ficassem no rio, era “preciso aliviá-los da carga e dos passageiros” (HOLANDA)


Foto: Cid Nogueira. Guia das monções, mestre Heleno descendo as embarcações com o auxilio de cordas. Travessão do Jaú, rio Coxim, município de São Gabriel do Oeste MS.

Nos anos anteriores a 1758, havia nas Companhias de Ordenança o cargo de escrivão, cujo

profissional habilitado era o responsável por redigir as correspondências da corporação e dos atos do Capitão-mor. A partir daquele ano, foram extintos os cargos de meirinho e escrivão. Os cargos e as funções passaram a ser de competência dos sargentos da companhia.


Havia portanto nas ordenanças, profissional habilitado para redigir documentos oficiais. Pela importância dos comboios com cargas militares que trafegavam pela rota das monções e a julgar pela perfeição das escritas na laje de pedra, é bem provável a presença de um sargento escrivão em meio da tripulação.


As Ordenanças de Porto Feliz


Cena do filme Porto das Monções. Porto de Araritaguaba - Porto Feliz SP.


Em 1570 visando a reformulação da estrutura militar de Portugal e de seus domínios, foram organizadas as atividades dos corpos de Ordenanças, sendo formadas Companhias nas vilas e cidades, compostas por 250 homens divididos em 10 esquadras. As companhias de Ordenanças eram comandadas por um capitão-mor, auxiliado por um sargento-mor, contando também com alferes, sargento, meirinho, escrivão, tambor, recebedor e cabo.


Em 1709, havendo muitas irregularidades nos processos de eleição das câmaras nas vilas e cidades, com o intuito de impedir o avanço da corrupção e ao mesmo tempo promover uma maior interferência da Coroa na escolha dos ocupantes dos cargos públicos, foram introduzidas mudanças na organização das Ordenanças.


Ainda no tempo dos bandeirantes e posteriormente com o estabelecimento da rota das monções, o local de embarque das canoas era apenas o porto de Araraitaguaba. Posteriormente foi transformado em freguesia de Araritaguaba pertencendo a vila de Itú, até que em 1797 foi transformada em vila de Porto Feliz, passando a ter a Companhia de Ordenanças, a câmara e a cadeia pública.


Foto: Cid Nogueira. Expedição monçoeira descendo o rio Coxim.


Existiram na vila de Porto Feliz três Capitães-Mores:

· Francisco Corrêa Moraes Leite de 1797 a 1820;

· Antônio José Leite da Silva, de 1820 a 1823

. e Joaquim Vieira de Moraes, de 1823 até a extinção do cargo em 1831 (quando as Ordenanças foram substituídas pela Guarda Nacional).


Descendo os passageiros e a carga para transpor com o auxilio de cordas, os barcos na cachoeira Avanhandava-assu (Quatro-pé) entre os municípios de Coxim e Rio Verde de MT - MS.


O capitão-mor exercia as funções semelhantes a um delegado de policia nos dias atuais, sendo oficial da milícia, tendo o dever de engajar a população no serviço militar, desempenhando funções civis, cabendo ao mesmo, com o auxilio do sargento-mor a atribuição de participar do processo eleitoral.


Em tempos de guerra, as tropas regulares ou pagas empreendiam as operações de guerra, sendo apoiadas pelos corpos Auxiliares ou Milícias e Ordenanças comandadas pelo capitão-mor. Nas tropas regulares os cargos de chefia eram ocupados por coronel, tenente-coronel, sargento-mor, capitães, ajudantes, tenentes e alferes. Embora nas ordenanças também houvesse o cargo de sargento-mor, o mesmo cargo nas tropas regulares era uma patente de mais alto nível.



Embarcando as cargas e os passageiros abaixo, após passagem dos barcos vazios pela cachoeira.


Nas expedições comerciais quem era o responsável pela monção era quem bancava a jornada, ou alguém por ele designado, sempre auxiliado por um ou dois guias práticos, contratados para este fim. Com a intensificação do transporte de cargas militares que eram custeadas por El Rey, a responsabilidade pelo transporte cabia ao capitão-mor da via de embarque, que atribuía a um sargento-mor, tenente ou sargento a missão de coordenar a ação de transporte, quando não havia um militar de patente superior da força regular viajando na monção.


Quando a situação exigia, o própria capitão-mor comandava a monção, como declara o capitão-mor Francisco Corrêa ter viajado com o guia prático José de Arruda Botelho.


“...o dito guia é há muito mestre do caminho e zeloso nos perigos pois

que já viajou comigo nesta ocupação” (Francisco Corrêa Moraes Leite – Capitão-

mor da vila de Porto Feliz - 1810).


“Aos 27 de fevereiro de 1805, chegou a esta Vila [Cuiabá] hua monsão

d’El Rey com muitos soldados, entre estes hum cabo de esquadrada, sendo seo

commandante hum sargento pago, onde veio pólvora xumbo, peças, e os demais

apetrexos q. dizem respeito a guerra, constante a referida monsão de 21 canoas.”

(Annais do senado de Cuiabá – 1805).


Técnica de transposição de batelões em corredeiras e pequenas cachoeiras. Desenho de Hercules Florence - 1826.


O Sargento-mor Cabral e sua história na Rota das Monções


Dentre os diversos militares de patente que chefiavam monções com carregamento e tropas militares, há o registro do Sargento-mor José Antônio Teixeira Cabral (Sargento-Mor Cabral), engenheiro correspondente do Real Arquivo Militar da Coroa Portuguesa, militar de alta patente pertencente a força regular designada a combater nas fronteira de Mato Grosso. Teixeira Cabral, ou como era conhecido, sargento-mor Cabral em 1811 assumiu o comando geral dos estabelecimentos militares da fronteira, do presídio de Miranda, do Forte Coimbra e do quartel de Camapuã.


“...recebi o ofício de dezoito de setembro em que Vossa Excelência

determina que Camapuã fique anexo ao comando deste presídio.” (Carta do

sargento-mor José Antônio Teixeira Cabral ao governador e capitão-general

da capitania de Mato Grosso 1812.)


Trupe monçoeira. Artistas berranteiros e a dupla Curicaca e Macaco caracterizado com uniforme da milicia.


Cabral, como engenheiro militar foi incumbido pelo governo imperial de projetar e edificar o forte de Miranda em pleno pantanal, como defesa aos ataques dos espanhoes e consolidação da posse do território fronteiriço ocupado pelos lusos-brasileiros.


“Em 10 de julho partiu para o presidio de Miranda o sargento-mor

José Antônio Teixeira Cabral com uma grande que escolta de soldados pagos e

milicianos, para reforço do presídio de Miranda, aonde se acha comandando”

(Annais do senado de Cuiabá – 1811).


Cabral como engenheiro foi eficiente quanto a produção da cartográfica, pois diversas plantas do projeto de fortificação do presidio de Miranda foram elaboradas, dando maior visibilidade as posses e conquistas das coroa portuguesa na fronteira.


Planta do forte de Miranda. Sargento - Mór Engenheiro José Antônio Teixeira Cabral (Mapa manuscrito, aquarelado com desenho e nanquim 41,5 x 77,4 cm. - 1811.


A nomeação de Cabral como comandante dos fortes de Coimbra, de Miranda e dos estabelecimentos militares da fronteira, o projeto cartográfico da imponente fortaleza e as ações militares de controle da fronteira, muito colaborou para entendimento que a região pantaneira ou seja a região sul da Capitania de Mato Grosso estava bem defendida, possibilitando argumentos de defesa portuguesa caso houvesse contestação quanto a posse lusa na região, por parte do governo da província do Paraguai.


Embora a fortificação do presidio de Miranda não tenha sido concluída, conforme previa a planta, os mapas produzidos a época foram de muita utilidade nas negociações entre os dois impérios como comprovação da posse efetiva do terreno em litigio.


Foto: Cid Nogueira. Monção descendo o rio Coxim.


As atividades de fortalecimento das fronteiras, realizadas pelo comandante Cabral, culminaram com o aumento no número das monções, que passando por Camapuã iam para Cuiabá, ou de Cuiabá seguiam para Coimbra e Miranda, pois ao assumir o posto, uma das preocupações iniciais do novo comandante foi com relação ao abastecimento com mantimentos, uma vez que em sua avaliação, a pólvora existente no presidio de Miranda era suficiente para a defesa, em caso de ataque espanhol.



Uniformes dos militares combatentes.


Já no final de 1811, Cabral fortaleceu o presidio de Miranda com a transferência de três peças de artilharia de uma polegada de calibre, que estavam no Forte Coimbra. Além de realocar as peças de artilharia, foi solicitado o envio de armas pois o presidio dispunha apenas de armas para a tropa miliciana enquanto as novas praças, possuíam apenas armas velhas impróprias para a guerra.


A situação enfrentada por Cabral era tão crítica que demandava consertos constantes no armamento, necessitando de materiais para os reparos, como solas para a fabricação de bandoleiras e de metais para o fabrico de fivelas. De forma expedita, utilizaram o latão fundido de copos de espadas velhas para a confecção das fivelas. Com muito esforço, conseguiram consertar apenas cem armas completas.



Passagem pelo paredão de São Pedro. Rio Coxim - Unidade de Conservação APA Coxim - Rio Cênico Rotas Monçoeiras município de Rio Verde de Mato Grosso MS.


Em 1812, a pedido de Cabral, chegou uma monção ao presidio transportando ferro e aço, necessários a realização de consertos nas peças de artilharia, bem como uma centena de espingardas. Foram feitos pedidos para atender os cirurgiões que atendiam a tropa, solicitando o envio de medicamentos, curativos e outros remédios como purgantes e de outros gêneros necessários ao abastecimento do armazém do hospital.


Em razão dos preparativos da guerra, Cabral movimentou o transporte fluvial no rio Paraguai e seus tributários, ativando intensamente as expedições monçoeiras, pois eram muitas as necessidades dos postos militares por ele comandado.


“ Suplico a Vossa Excelência que não remeta mais gente, por que

não preciso, pois não espero nem temo ser atacado. Por isso, aquele que vier só

servirá de por em um estado mais deplorável do que aquele em que está a gente

deste presídio, que é comer pouco e trabalhar muito, pois já está a meia data de

alguns gêneros e toucinho nenhum.” (Carta do sargento-mor José Antonio Teixeira

Cabral ao governador e capitão-general da capitania de Mato Grosso - 1811)


Transposição de cachoeira com os barcos puxados por cordas. Travessão do Jaú. Rio Coxim, município de São Gabriel do Oeste.

Em 1811, a mando da coroa espanhola, foi construída uma guarda no rio Apa, tendo como objetivo, segundo o comandante da Vila Real do Paraguai, observar a fronteira e impedir a ação dos nativos Guaicuru e Guaná de roubarem gado e ferramentas das fazendas ou estancias castelhanas. Atento a intenção do inimigo, o comandante Cabral reforçou a defesa da área evitando qualquer ação hostil por parte dos espanhóis.


Cabral utilizou-se da cooperação e parceria das etnias Guaicuru e Guachi (ou Guaxarapo) para manter o domínio luso-brasileiro sobre a região outrora conhecida como Itatim. Região esta, que se estendia dos rios APA ao Taquari e do Coxim-Camapuã-Pardo ao Paraná.



Foz do ribeirão da Fortaleza, entre os municípios de Coxim e Rio Verde de Mato Grosso MS. Região anteriormente de domínio Mbayá-guaicuru, tendo ao fundo a morraria dos Guaicuru (em frente a cidade de Coxim). Foto de Silas Ismael. 2022.


A região agora dominada pelas tropas portuguesas, estiveram antes, sob o domínio das hordas Mbayá-guaicuru, que conhecendo todos os caminhos e rios da região, auxiliavam agora as tropas lusas nas frequentes rondas de reconhecimento de possíveis acessos do inimigo ao presidio, bem como na captura de gado dispersos na região de vacaria, região esta, que se estendia de Camapuã até as proximidades do rio Grande.


Imagem: Debret, carga da cavalaria Guaicuru


Nas correrias, andanças e rondas militares saídas do presidio de Miranda, realizadas pelos Guaicuru, nas bordas da serra de Maracaju pelas margens do rio Taquari e Coxim, mantinha-se vigilância não só sobre Camapuã e os campos de Vacaria, mas também sobre a região onde num futuro próximo viria a se instalar o Núcleo Colonial do Beliago (1862). Essa região era palmilhada por estes nativos, conforme os mais antigos relatos monçoeiros. Sendo mencionada desde as primeiras monções, foi mencionada por mais de 100 anos, como confirmam Cabral Camello e o sargento-mor engenheiro Luiz D’Alincourt.


“...dizem ser a passagem dos gentios Guaycurús ou Cavaleiros

para o pantanal,,, mas a mais certa e conceituada passagem deste gentio é sem

dúvida perto da barra, e na parte em que o Taquari é mais estreito e baixo...Nesta

passagem tem os Guaycurús acometido por vezes nos seus cavalos a algumas

tropas nossas...”(CABRAL CAMELLO – 1727)


“Desde a confluência do Coxim até a sua barra no Paraguay, tem [o

Taquari] 70 legoas; cuja velocidade é forte... até duas legoas abaixo da Cachoeira

da Barra, depois segue por campanhas razas... Em toda esta extensão dá váo

somente no tempo da secca, duas léguas abaixo da Cachoeira da Barra, a que

chamam a passagem dos cavalleiros, por alí onde os Uaicurus atravessão o rio”

(Luiz D’Alincourt – 1828).


Foto: Silas Ismael. Região do morro Preto e Beira Alta no rio Taquari, abaixo da cidade de Coxim. Local onde segundo o cronista, historiador, pesquisador e engenheiro militar D'Alincourt, os nativos cavaleiros Guaicuru atravessavam o rio Taquari a vau( a pé ou a cavalo).


Com a agregação das etnias Guaicuru, Guaná e Guachi as tropas sediadas no presidio de Miranda, sendo constantes as realizações de rondas pelo território, além da captura de gado para abastecimento dos populares do presídio, minimizaram as antigas práticas de rapina e ataques realizados pelos nativos as possessões castelhanas da fronteira.


Camapuã que em 1800 contava com duzentos habitantes, com o deslocamento dos comboios militares e a implantação do quartel ligado ao presidio de Miranda teve sua população aumentada chegando a trezentas pessoas em 1824. Do presidio de Miranda até Camapuã, por terra gastavam-se aproximadamente dez dias.


“Tenho arranjado tudo da maneira que me parece a mais vantajosa e só

já não tenho feito marchar daqui gente [para Camapuã], por ser muito impossível

a viagem em razão da estação.” (Carta do sargento-mor José Antônio Teixeira

Cabral ao governador e capitão-general da capitania de Mato Grosso 1812.)


Vista de Camapuã. Óleo de Zilda Pereira. Releitura de Hercules Florence 1826.


O rebanho bovino da localidade de Camapuã era considerável, pois já em 1751 quando da passagem do Conde de Azambuja contava com mais de 600 cabeças. O povoado que nos anos áureos da rota das monções, era ponto de reabastecimento das expedições monçoeiras, agora com a instauração do conflito armado, não só era ponto de apoio as monções militares que se deslocavam pelo rio Coxim / Taquari / Paraguai / São Lourenço / Cuiabá, como também abastecia o palco de guerra com o fornecimento de gado, enviado por terra ao presídio de Miranda.


“Fica o dito sítio ou fazenda Camapuan à borda de um pequeno rio, do

qual toma o nome... Tem sempre grande abundancia de milho, de farinha do

mesmo, feijão, arroz, porcos e vacas, das quais se não sabe já o número pela

largueza dos pastos, e se entende passarão de seiscentas cabeças.” (D. Antônio

Rolim – Conde de Azambuja – 1751)

Pelo considerável rebanho bovino existente a época, Camapuã era ponto de atração dos Mbayá- Guaicuru (Guaicuru e Guachi), que foram encarregados pelos comandantes do presídio, de transportarem gado até Miranda, reavivando o caminho de ligação entre os dois povoados.


Safari 4 x 4 pantanal do Paiaguás (Pantanal overland 4x4 safari's - Paiaguás pantanal foto safari). Fazenda Lambari, antiga região da sesmaria de Domingos Beliago


A ronda de Camapuã mantinha a vigilância do trecho entre Miranda e Camapuã, não só pela parte alta do planalto, mas também deslocando-se na planície, passando pela margem do Taquari, bordejando as cuestas finais da serra de Maracaju, próximos a foz do Coxim.


A incorporação dos nativos nas rondas militares do presídio de Miranda, muito contribuiu para o conhecimento da geografia e dos acessos da região, desde a parte baixa da planície, subindo o planalto de Amambai até a margem do rio Grande.



Ronda do gado realizada por peões pantaneiros. Retiro São Luiz. 2015.(mesmo estilo utilizado pelos Guaicuru, séculos atrás).

A incorporação do quartel de Camapuã a jurisdição de Miranda, executada pelo sargento-mor Cabral, muito contribuiu para o povoado fosse ao longo de alguns anos o celeiro de carne bovina para a guarnição do forte, uma vez que na falta de carne fresca ou de mantimentos mandados pela capital, podia-se acessar com pouca demora, os grandes rebanhos criados em Camapuã, ou mesmo capturados nos campos de Vacaria, conhecidos como "bois baguá".


Comitiva conduzindo o gado no pantanal da Nhecolândia MS.


A semelhança dos Guaicuru que tocavam as boiadas dos campos de vacaria para o forte de Miranda, ainda hoje os peões pantaneiros através da comitivas, deslocam o gado por entre os pantanais da Nhecolândia e Paiaguás.


Na Pedra do Letreiro Monçoeiro, o sargento-mor Cabral, tem seu nome gravado de forma bem visível como chefe de uma monção.


Os guias práticos e as monções mantidas pela fazenda do tesouro imperial



Óleo de Oscar Pereira da Silva. Um batelão monçoeiro partindo de Porto Feliz;


O porto de Araritaguaba na vila de Porto Feliz, era o ponto de partida e de chegada das monções, sendo o palco de grandes movimentações. A localidade e seu entorno eram responsáveis pelo fornecimento de mão-de-obra e logística necessárias ás expedições. Alí residiam aqueles que se dedicavam aos ofícios de guias, proeiros, remeiros, carregadores e pilotos das monções, ou sejam, os profissionais dedicados a navegação na rota das monções. Com o passar dos anos, e diante da oferta de empregos, navegadores de vilas e povoados vizinhos, como de Itu, Piracicaba e mesmo do povoado de São Paulo, chegavam até para trabalharem nas monções.


Para que uma monção obtivesse sucesso era necessário ter uma tripulação experiente, e em Porto Feliz, haviam muitos desses profissionais experientes na arte de navegar.


Incursão da equipe do projeto de Resgate Cultural da Rota das Monções. Desembocadura do rio Jauru no rio Coxim - 2022.


Bons proeiros, bons remadores e bons piloteiros eram necessários nessa composição, mas principalmente ter um guia prático experiente era primordial para conduzir o comboio de embarcações. O guia a quem as tripulações obedeciam era muito respeitado, pois estava sempre a frente da expedição, ordenando os trabalhos, controlando as horas de parada e saída, determinando os locais de pouso e preparo das refeições, e principalmente dando orientações sobre a navegação nos locais de difícil transposição.


Na rota das monções, haviam dois tipos de expedições. As expedições particulares ou de inciativa privada que objetivavam o comercio com as zonas de mineração e expedições organizadas pelo governo, com a finalidade de transportar equipamentos, gêneros alimentícios, forças militares e autoridades administrativas. As monções financiadas pelo tesouro real eram chamadas de expedições reiunas.


Descida de uma monção pelo rio Cênico Rotas monçoeira. Região compreendida entre os municípios de Rio Verde de Mato Grosso e São Gabriel do Oeste.


Em Porto Feliz, a partir de 1800 diminuíram as expedições privadas e ao mesmo tempo aumentaram as expedições oficiais para abastecerem as regiões de fronteira, em decorrência dos conflitos entre o império Português e o império Espanhol.


As monções reiunas eram coordenadas e supervisionadas por um militar de patente, quase sempre lotado na ordenança do porto de partida, no caso a Ordenança de Porto Feliz. Para se evitar extravios e perdas das cargas militares, havia um rígido controle sobre os artigos transportados, e em caso de ocorrência com perdas, poderia haver a imputação de culpa sobre o responsável, podendo serem tomadas medidas de ressarcimento ao erário publico.


Foto de Cid Nogueira. Descida da monção pelo rio Coxim - 2017.


Os guias, piloteiros, remeiros e proeiros que a tempos eram chamados de camaradas, nesse período em que atendiam as expedições militares eram chamados de condutores dos comboios fluviais, sendo mobilizados para acudir a fronteira, recebendo salário pago por suas Ordenanças de origens. Os navegantes da vila de Porto Feliz estavam subordinados ao capitão-mor que comandava a Ordenança da vila, de onde proviam seus salários.


O guia prático José de Arruda Botelho


José de Arruda Botelho era um morador da vila de Porto Feliz, de cor branca e que tinha a profissão de “piloto no caminho das águas para Cuiabá”, conforme registrado no censo de 1813 da vila de Porto Feliz.


Piloto experiente e dedicado a profissão, Botelho era um guia muito conceituado na rota das monções, gozando de prestígio entre as autoridades de Cuiabá e Porto Feliz.


Piloteiros e guias práticos da monção de 2017.


Consta que em 1801, quando iniciara os conflitos entre lusos-brasileiros e castelhanos na região do leque aluvial do rio Taquari, as monções vindas de São Paulo ficaram paralisadas em Camapuã, aguardando a melhor oportunidade para passarem na região em conflito. O comandante das tropas de combate da fronteira, incumbiu o guia Botelho de comandar uma monção a Camapuã para auxiliar as expedições alí retidas e escolta-las até a Capital Cuiabá.


“A 17 de abr.° chegou a Povoação de Albuquerque o socorro inviado

desta Villa ... No dia 20 fes este Comd.e marchar os destacamentos para os

presidios, e no dia 21 expedio para a fazenda Camapoam o guia Joze de Arruda

Botelho, a fazer recolher para esta Capitania as munçõens que vinhão de São

Paulo, retardadas na dita fazenda por causa da guerra.”(João dos Santos Fer.a de

Sá. Annais do Sennado de Cuiabá. 1801)


No rio Coxim, parada da monção para visitar o correio monçoeiro (local estrategicamente escolhido para deixar correspondencias).


A canoa naufragada da monção do Sargento mor Cabral e o guia Botelho


No ano de 1810 seguia a flotilha de Porto Feliz para Cuiabá, comandada pelo Sargento-mor José Antônio Teixeira Cabral, tendo como guia da expedição o prático José de Arruda Botelho. Era uma expedição oficial levando suprimentos e equipamentos militares, dentre eles, peças de artilharia que iria abastecer os postos militares da fronteira em litígio.


Não se tem informações sobre o numero de canoas que compunha aquela monção, mas o que se sabe é que quando o comboio transponha um obstáculo, uma das canoas foi arremessada pela violência das águas, vindo a soçobrar. Não houve perdas humanas, mas sim a perda de material transportado na canoa e que pertencia ao tesouro real.


O batelão despedaçado. Desenho de Hercules Florence 1826. Viagem do Conde Langsdorf pelo Brasil.


O sargento-Mor Cabral, embora ainda não tivesse assumido o comando das guarnições militares na fronteira, sabedor das necessidades dos postos militares, era zeloso com o transporte dos equipamentos e materiais de suprimento destinados a abastecer os quartéis que estariam sob seu comando. Como responsável maior pelo transporte da carga militar, buscando os responsáveis pelo grave incidente, eximiu de culpa o piloto da embarcação, imputando a culpa ao guia José de Arruda Botelho, alegando que o mesmo ordenara a passagem da canoa a contragosto do piloto, sendo portanto o culpado pelo ocorrido acidente.


Estando o sargento-mor no quartel em Camapuã, escreveu ao capitão-mor de Porto Feliz relatando o fato, e exigindo que fossem suspensos os soldo do Guia, até a liquidação dos prejuízos.


Monçoeiros em Camapuã por ocasião da instituição da festa das monções. Da esquerda para a direita: Ariel Albrecht, J.f. de Paula F., Nilo Peçanha Coelho e Dário e Henrique Spengler. 2002.


Em casos de danos ao erário público, o culpado pela ação, era obrigado a pagar os prejuízos, sendo os valores descontados no soldo do militar.


“O mais engraçado da história é que Jatobá perdeu a bayoneta e teve

de paga-la um tempão, pois todos os meses o quartel-mestre descontava-lhe um

tanto no soldo para indemnizar o Estado, que, em negócios de dívidas nunca

perdôa e chega sempre a receber, vintém por vintém, integralmente o que lhe

devem.” (Narrativas Militares – Taunay 1878).


Caso não fosse apontado o responsável pelo incidente a culpa pelo fato, recaia sobre o responsável pelo comboio, que no caso seria o próprio sargento-mor.


Embarque dos monçoeiros pelo córrego Camapuã. 2002.


A carta do Sargento-mor Cabral, foi escrita no mês de setembro, sendo que um mês antes, o tenente dos Dragões de Mato Grosso, Antônio Maria da Silva Torres ao tomar conhecimento dos fatos, talvez ouvindo a versão do conceituado Guia, escreveu ao capitão-mor de Porto Feliz lhe precavendo a respeito dos fatos e ao mesmo tempo assegurando a lisura do Guia e o excelente comportamento de Botelho e seus camaradas nas missões como condutores de cargas e tropas.


Não se sabe qual a relação do Guia com o Tenente, mas o fato é que José de Arruda Botelho gozava de muito prestígio como profissional, tendo o respeito e a confiança do próprio Comandante geral, pois em 21 de abril de 1800 havia recebido do tenente-coronel Ricardo Franco de Almeida Serra, comandante em chefe da fronteira do Paraguai a missão de comandar a monção que escoltaria as monções que estavam estacionadas em Camapuã, aguardando apoio para navegarem pela área de conflito.


Monção subindo o rio Coxim.


O Capitão-mor da vila de Porto Feliz, Francisco Corrêa Moraes Leite isentou de culpa o guia Botelho, alegando que o mesmo ao longo de muitos anos era mestre no caminho fluvial sendo zeloso nos perigos da viajem e que ele mesmo pudera comprovar o esmero e o cuidado do guia com os comboios pois já haviam navegado juntos.


Muitos são os fatos que poderiam ter influenciado o perdão do guia Botelho. Sem sombras de dúvidas, sua ilibada conduta profissional era evidente. Punir e penalizar o guia por aquele fato poderia levar o mesmo a abandonar as atividades de mareante.


Passagem de uma monção pela região da ponte da Capivara no rio Cênico Rotas Monçoeiras.


Nesta transição de monções particulares para as monções militares, muitos práticos da navegação haviam abandonado a atividade, havendo secasses, na época de bons guias, pilotos e proeiros. O próprio Capitão-mor Francisco Corrêa, em transcrição de Buarque de Holanda lamenta a carência de práticos, pilotos e proeiros para mais de seis ou oito canoas. Perder o guia Botelho, seria um prejuízo maior que as perdas tidas com o alagamento da canoa.


Havia na época uma grande carência de profissionais especializados em determinados serviços. Essas necessidades, muitas vezes, tornavam as punições mais brandas, ou mesmo induziam o perdão por determinadas falhas. Cita-se o caso de um soldado, que dominava o oficio de carpinteiro e que em 1813 foi levado ao destacamento de Miranda para cumprir pena de um ano. Como no forte não havia um praça especializado na função e o condenado era hábil no desempenho do ofício, o condenado foi perdoado, sendo reincorporado à tropa.


O embarque das canoas após passagem pela cachoeira do Travessão do Jaú.


Era grande a carência de profissionais especializados, pois muitos infratores foram absolvidos de suas culpas em razão de suas habilidades. É o caso de um soldado lotado no presidio de Miranda, que em razão de bebedeiras vivia em constantes conflitos com sua esposa, que sempre resultava em pancadarias, gritos, facadas, perturbando a população local. O comandante do presídio alegou não ter expulsado o casal do povoamento por ser o soldado o único ferreiro existente no forte.


Visita ao Rio Cênico Rotas Monçoeiras do secretário de Estado, Cultura e Turismo de Mato Grosso do Sul, Atayde Nery, do superintendente de Turismo de MS, Mateus Dauzacker, o guia das monções mestre Manezinho e Ricardo Figueiró do Projeto Retirada da Laguna. 2017.


Outro fato que pode ter pesado no perdão do guia Botelho era o fato de ser ele homem de confiança, a quem as cargas das canoas poderiam ser entregues sem receio de extravios ou perdas. Em 1803, o comandante do presidio de Miranda, Francisco Rodrigues do Prado relatou que em um carregamento de mantimentos destinado ao forte, os condutores haviam entregado a carga sem nenhum dano aparente, pois entregaram a mesma quantidade de sacos recebidos, só que conferindo melhor a carga viram que em cada saco faltavam três pratos de cada alimento como também havia diferença nos pesos. Foi impossível identificar o culpado. Caso houvesse qualquer deslize por parte da tripulação de condutores, a desconfiança pela culpa recairia sobre o guia da monção.


Na Rota das Monções era portanto, imprescindível ter um tripulação e coordenadores idôneos. Este fato deve ter pesado no julgamento do guia José de Arruda Botelho, por sua ilibada conduta.


Jornalistas da rede Globo entrevistam J.F. de Paula F. no sítio arqueológico da Pedra do Letreiro Monçoeiro.


O resgate das atividades históricas do sargento-mor Cabral, registrado na Pedra do Letreiro Monçoeiro é apenas um, dentre os diversos nomes gravados na laje, que necessitam de estudos e pesquisas, constituindo-se em um campo aberto para pesquisadores e historiadores.


“Projeto Resgate, Promoção e Valorização do Patrimônio Cultural da Rota das Monções. Fundo Estadual de Defesa e de Reparação de Interesses Difusos Lesados – FUNLES MS / OSC Espaço Manancial/ Salt Media”.


Rota das Monções: "Se o Brasil nasceu na Bahia, o Brasil cresceu por aqui.”



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